De 6 de outubro a 1º de novembro, o Museu Vivo da Memória Candanga recebe a Mostra Acervo Poético – Memória Migrante, um mergulho afetivo nas histórias de mulheres migrantes que ajudaram a construir Brasília. A programação, acessível e acolhedora, combina exposição sensorial com mais de 80 relatos em vídeo, o minidocumentário Barraca de Memórias, o espetáculo Carrego o que Posso, Faço Quintal Onde Dá, além de vivências, oficinas de tricô, rodas de conversa e visitas mediadas com LIBRAS e audiodescrição. Inspirada na intimidade dos lares dessas mulheres, a cenografia recria um ambiente de aconchego e memória, onde fios, tramas e texturas conduzem o público por um percurso de escuta e presença.
“Para ouvir essas histórias e fazer ecoar a força de suas protagonistas, criamos a ‘Barraca de Memórias’, um ciclo itinerante de escuta que começou em 2023. É exatamente o que o nome diz: uma barraca que conduz, troca, instiga e faz compartilhar memórias”, conta Maysa Carvalho, coordenadora artística. Em dois anos, o projeto passou por Planaltina, Vila Planalto, Paranoá, Núcleo Bandeirante, Brazlândia, Candangolândia e Vila Telebrasília — territórios onde a história da capital começou a ser tecida. “Estas regiões foram criadas antes da inauguração da cidade-capital e, também por isso, são suas principais testemunhas. Foi ali que se estenderam os acampamentos, onde habitaram, riram, fizeram filhos, rezaram e sonharam uma nova vida. E é em celebração à coragem de sonhar e construir essa cidade que realizamos a exposição”, explica Luênia Guedes, coordenadora de produção.
Realizada pelo Coletivo Entrevazios, a mostra também apresenta o espetáculo Carrego o que Posso, Faço Quintal Onde Dá, dirigido por Sandra Vargas, referência nacional no teatro de objetos. A montagem transforma bacias, panelas, roupas e ferros de brasa em dispositivos poéticos para narrar uma Brasília íntima, feminina e cotidiana, muitas vezes ausente dos livros de história. O minidocumentário Barraca de Memórias ganha três exibições seguidas da roda de conversa Os Rios da Memória Coletiva, com mediação da psicanalista e pesquisadora Cosette Castro, do Coletivo Filhas da Mãe.
Com recursos de LIBRAS, audiodescrição e transporte acessível, a Mostra amplia o acesso de públicos diversos, especialmente de mulheres idosas, fortalecendo o pertencimento e a preservação do patrimônio imaterial do DF. Desde 2014, o Entrevazios investiga Brasília por meio de intervenções urbanas, exposições e experiências cênicas. A Mostra Acervo Poético dá continuidade a esse percurso, reafirmando o compromisso do grupo com a escuta, a memória coletiva e a valorização dos saberes que moldaram a capital.
SERVIÇO
Exposição Memória Migrante – Mostra Acervo Poético
Data: 6 de outubro a 1/º de novembro
Horário: 9h às 17h, de segunda a sábado
Local: Museu Vivo da Memória Candanga
Acesso: Gratuito

















