Arte, design, arquitetura, urbanismo e Brasília tomaram conta do talk realizado pelo Casapark Prime na Cerrado Cultural na tarde de quarta-feira, 02/07. Cerca de 50 arquitetos, designers de interiores e lojistas do Casapark atenderam ao convite do Casapark Prime para participar de uma conversa com Divino Sobral, curador e diretor artístico da galeria, e Fernando Mendes, designer de mobiliário e responsável pela Fundação Sérgio Rodrigues, e mediação de Carlos Alberto Oliveira, da Hill House.
O ponto de partida da conversa foi a apresentação da Poltrona Carmel criada por Sérgio Rodrigues em 1966 para o mercado internacional e foi vendida em sua loja OCA na Califórnia (Estados Unidos). Agora, a poltrona foi reeditada para venda no Brasil. A Poltrona Carmel simboliza a força do design brasileiro em um momento de grande efervescência cultural brasileira. Sergio Rodrigues contou à época que foi fortemente influenciado pela Bossa Nova e o Cinema Novo. Seu design reflete um momento histórico em que funcionalidade, inovação e sofisticação caminham juntas. A reedição da Carmel marca o início das comemorações do nascimento de Sérgio Rodrigues, que completaria 100 anos em 2027.
Entre os temas abordados na conversa, o modo de criação de Sérgio Rodrigues. “Ele sempre partia do desenho, seja de um objeto, seja de uma pessoa, como as caricaturas que ele fazia dos amigos, seja de um animal”, afirmou Fernando Mendes, que conviveu com Sérgio Rodrigues por 30 anos até sua morte em 2014.
Influenciado pelo design nórdico, em especial o dinamarquês com sua técnica em madeira e um certo essencialismo, Sérgio Rodrigues trouxe para o mobiliário brasileiro uma nova forma de expressão cultural, muito de acordo com o seu tempo. “Ele incorpora à sua produção o humor, a fartura, o exagero, muito evidentes nas poltronas Mole e Chifruda. Isso reflete o gosto pela boa mesa, a boa conversa, do bem viver, que fazem parte da cultura brasileira”, completa Fernando.
Perguntado pelo mediador da conversa sobre a produção artística no Centro-Oeste e seu reconhecimento nacional e mundial, Divino Sobral abordou a relação design, arte, arquitetura e urbanismo como elementos inseparáveis para o desenvolvimento de uma cena contemporânea na região. “Houve uma mudança na forma como nos vemos”, afirmou o diretor de arte da Cerrado Cultural e curador das mostras “Invenção do Visível”, de Mariana Palma, e “O Tempo é Rei”, de Genor Sales, ambas em exibição na galeria.
Ao analisar o modelo da história da arte ocidental, Divino observa a arquitetura como uma arte fundamental, que abriga as demais expressões artísticas, como a pintura, a escultura e o relevo. No contexto do projeto moderno que construiu Brasília, símbolo do Brasil moderno e síntese da preocupação estética modernista, percebe-se uma confluência de linguagens guiadas pela busca da beleza, da estética e de um espaço inovador, que se manifesta primeiramente no urbanismo. Associada a esse urbanismo está a arquitetura monumental de Oscar Niemeyer, que engloba inclusive a pintura, especialmente o muralismo e a arte da azulejaria.
“Junto a isso, como uma cidade moderna, como uma cidade de utopia social, de utopia das formas, a gente tem junto o mobiliário, o design, construções dentro de um desenho de cidade obra-de-arte, com edifícios que são também obras de arte. Tudo o que está dentro de seu interior é obra de arte se pensarmos num edifício magnífico como o Palácio do Itamaraty”, ressalta o curador. “A produção contemporânea começa a fazer uma ligação entre os modos e os espaços em que a gente vive. A arquitetura continua com seu papel fundamental, dialogando com ela não mais só com a obra de arte e o mobiliário, mas tudo aquilo que a gente veste – a moda que é também uma construção discursiva e visual extremamente importante -, o design gráfico e todas as demais formas de visualidades”, completa o curador.
A conversa, que se estendeu para a plateia em uma sessão de perguntas e respostas, abordou ainda temas como identidade cultural, Brasília e seus muitos sotaques, as cores do Cerrado e o meio ambiente como parte das questões presentes na produção de arquitetos, designers e artistas. Após o talk, os convidados visitaram as mostras e conheceram a Poltrona Carmel, em exibição na Cerrado Cultural até 26 de julho.
Veja quem marcou presença pelas lentes do fotógrafo César Rebouças:































































