Por Isabela Mendes
Jonathan Anderson apresentou, na quarta-feira (21), em Paris, o desfile masculino de inverno 2026 da Dior como um manifesto de liberdade. Inspirado no legado revolucionário de Paul Poiret, o estilista britânico reforça a ideia de que roupas não precisam obedecer a fronteiras de gênero, um conceito que, para ele, já pertence ao passado. Silhuetas fluidas, volumes tênues e uma atitude despreocupada dão o tom da coleção.
O diálogo com Poiret vai além da referência histórica. Assim como o costureiro francês libertou as mulheres do espartilho no início do século 20, Anderson chacoalha as estruturas clássicas da maison ao propor conforto, movimento e exuberância estética. Blusas inspiradas em vestidos paetizados de Poiret abriram o desfile, combinadas a jeans slim, botas e bolsas no ombro, evocando uma androginia roqueira com ecos glam e new wave.

A trilha sonora de Mk.gee ajudou a construir a atmosfera da coleção, pensada para os “flâneurs modernos”, jovens aristocratas urbanos que transitam entre a tradição e a rebeldia. Parkas utilitárias, saias, doudounes, capas encasuladas com estampas orientais e polos ajustadas com dragonas brilhantes surgem em um jogo de contrastes entre o refinado e o punk, o clássico e o experimental.
A alfaiataria aparece em tweed pied-de-poule e lã cinza, enquanto jaquetas cropped, abotoamentos militares e detalhes aristocráticos reforçam o caráter híbrido da proposta. O encontro entre os anos 1920 e 1980 resulta em uma coleção jovem, inquieta e urbana, que poderia ocupar tanto as ruas de uma metrópole quanto a plateia de um festival. Uma rebeldia elegante, com sotaque britânico e assinatura clara de Jonathan Anderson.
Fotos:
Divulgação
Coleção de inverno 2026 da Dior
















