O estilista brasiliense Vinnicius Afonso, à frente de sua marca homônima, participa pela segunda vez consecutiva da passarela da Casa de Criadores com a coleção F A S C Í N I O, uma ode ao metalizado como linguagem estética, política e sensorial. Em sua nova proposta, o criador transforma o brilho em manifesto contemporâneo, resgatando o esplendor do jacquard metalizado para redesenhar os contornos entre o futurismo e o glam rock.
Na CDC57, F A S C Í N I O revisita os anos 1960 e 1970, décadas que moldaram o imaginário do metalizado na moda. Do futurismo espacial dos anos 60, Vinnicius recupera a arquitetura limpa, as superfícies laminadas e a ideia do metal como símbolo de avanço tecnológico. Já do glam rock dos anos 70 emergem a teatralidade, a androginia e a exuberância — referências que dialogam diretamente com Bowie, Grace Jones, MJ, Elke Maravilha e tantos outros ícones que transformaram luz em linguagem.
O resultado é uma coleção que enxerga o brilho não como ornamento, mas como identidade, coragem e expressão plena do existir.
A base da coleção está na exploração de jacquards metalizados, tecidos estruturados, paetês, franjas e transparências que desenham superfícies híbridas entre rigidez e fluidez. A paleta reafirma a narrativa temporal: Turquesa, fúcsia, verde militar e bordeaux evocam modernidade; Dourado e prata remetem ao luxo atemporal; Verde elétrico e púrpura traduzem a energia glam rock; Preto profundo adiciona dramaticidade e contraste.
Acessórios metalizados — muitos produzidos com os mesmos tecidos dos looks — reforçam a unidade visual, enquanto botas de salto alto e plataformas ecoam a estética performática das décadas revisitadas.
As silhuetas propostas por Vinnicius Afonso reforçam a fusão entre passado e futuro. Peças agênero, volumes ousados, blazers oversized, comprimentos midis e longos, além de cinturas marcadas, criam um percurso visual que celebra presença e movimento. As construções híbridas refletem a filosofia da coleção: a coexistência entre masculino e feminino, força e vulnerabilidade, rigidez e leveza.
Na coleção, o metalizado é ressignificado como metáfora da evolução humana. Se nos anos 60 simbolizava o futuro tecnológico, agora representa a expansão da consciência e da liberdade individual. O brilho torna-se linguagem íntima e política, um gesto de afirmação em um mundo que ainda tenta impor moldes.
Em mais uma participação marcante na Casa de Criadores, o estilista reafirma seu nome entre as vozes mais inquietas e relevantes da nova moda brasileira — uma moda que não apenas veste, mas provoca, questiona e ilumina.
Fotos: Marcelo Soubhia / Agência FOTOSITE






































