Por Isabela Mendes
Milão parou para assistir ao primeiro capítulo de Demna na Gucci, que começou com impacto. A estreia do estilista no comando criativo da casa italiana reuniu passado, presente e futuro em uma mesma passarela. Kate Moss, símbolo máximo da era Tom Ford, voltou ao centro da cena ao lado de Mariacarla Boscono e Karlie Kloss. Do outro lado do casting, a nova geração que domina o algoritmo e redefine o imaginário fashion: Alex Consani, Amelia Gray, Vittoria Ceretti, Gabbriette e Vivian Wilson, que debutou nas passarelas no último ano. Um casting pensado como declaração.
Com Shawn Mendes na fila A, o desfile funcionou como um encontro de arquétipos: as supermodelos que moldaram os anos 1990 dividindo espaço com as figuras que hoje movem cultura, desejo e conversa digital. A plateia também teve sotaque brasileiro, com Silvia Braz e Livia Nunes acompanhando a apresentação de perto. Entre nostalgia estratégica e construção de futuro, Demna deixa claro que sua Gucci começa com intenção e com narrativa forte o suficiente para manter a indústria inteira olhando para Milão.


Apesar de alguns acenos à era Tom Ford, Demna apresentou uma Gucci visualmente mais limpa, menos excessiva e mais controlada. Em manifesto divulgado durante a temporada, o estilista explicou a direção dessa virada estética. “Pretendo que a Gucci se torne mais leve, mais suave, mais refinada, mais elaborada, mais emocional — até mesmo sem sentido às vezes. (…) Este primeiro desfile apresenta um universo de pessoas, arquétipos, consumidores e códigos de vestimenta que moldarão minha linguagem de design daqui para frente. É um começo, mas é intencional e totalmente formado. É a base que dá início à minha história com a Gucci”, afirmou.




















