O Janeiro Branco, movimento criado no Brasil em 2014 e hoje reconhecido internacionalmente, chama atenção para a importância da saúde mental em um cenário de aumento de ansiedade, estresse e sobrecarga emocional. No Hospital Santa Lúcia, a campanha ganha força com ações que vão além da conscientização, integrando prevenção, acolhimento e cuidado contínuo ao longo de todo o ano, com atenção especial a públicos mais vulneráveis, como gestantes, puérperas e idosos.
Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), quase uma em cada sete pessoas no mundo vive com algum transtorno mental. No Brasil, mais de 18 milhões de pessoas convivem com transtornos de ansiedade, e cerca de 11,5 milhões com depressão. Para o psiquiatra Dr. João Armando, coordenador da Psiquiatria do Hospital Santa Lúcia Sul e Norte, o foco da campanha é ampliar o acesso à informação de qualidade. “O objetivo é romper o silêncio, reduzir estigmas e estimular o cuidado contínuo, porque o sofrimento emocional muitas vezes aparece associado a doenças clínicas e pode agravar desfechos quando não é reconhecido a tempo”, afirma.

Na maternidade, o olhar para a saúde mental é ainda mais sensível. Mudanças hormonais, privação de sono e reconfigurações familiares aumentam a vulnerabilidade no pós-parto. O ginecologista e obstetra Dr. Ângelo Pereira, coordenador da Maternidade do Hospital Santa Lúcia Sul, destaca a importância de diferenciar quadros transitórios de situações que exigem avaliação especializada. “Quando o sofrimento é intenso, persistente e compromete o autocuidado ou o vínculo com o bebê, a resposta precisa ser rápida e integrada entre obstetrícia, psicologia e psiquiatria”, explica.
Entre os idosos, a campanha também lança luz sobre um tema frequentemente invisibilizado: a solidão e o sofrimento emocional na terceira idade. A geriatra Dra. Priscilla Mussi, coordenadora da Geriatria e do programa Cuidar+, alerta que depressão e ansiedade nem sempre se manifestam como tristeza explícita. “Quando o idoso perde o ânimo, se isola ou passa a reagir com indiferença ao que antes fazia sentido, isso pode ser um sinal importante de sofrimento psíquico”, afirma. Segundo a médica, o cuidado integral e multiprofissional é essencial para preservar autonomia, qualidade de vida e vínculos sociais.














