Filha de Silvia Braz, uma das maiores referências da moda no Brasil, Maria Braz cresceu cercada por imagens, roupas e conversas que moldaram seu olhar desde cedo. Ainda criança, brincava no closet da mãe, experimentando peças e inventando histórias. “Cresci com duas grandes referências de moda, minha mãe e minha avó paterna, sempre elegante e apaixonada pelo universo do luxo”, conta. A familiaridade com esse universo, no entanto, não apressou sua entrada nas redes: Maria só criou seu próprio perfil aos 18 anos, após insistência e com a condição de priorizar os estudos.
Formada em direito, Maria construiu referências para além da moda, especialmente no cinema e nas artes visuais. “Amo arte e cinema. Scorsese e Almodóvar estão entre os meus favoritos. Gosto de filmes sobre temas essencialmente humanos, com dilemas e personagens imperfeitos”, afirma. Muitas de suas ideias nascem dessas observações. “Outro dia estava vendo Golpe de Sorte em Paris, do Woody Allen, e fiquei encantada com o apartamento do casal. Dali, comecei a pensar numa série de posts.” Adepta da escrita, anda sempre com um caderno onde anota pensamentos, projetos e referências.

Seu estilo reflete esse repertório construído com tempo. Embora admire uma estética rock and roll e figuras como Kate Moss e Lily-Rose Depp, Maria prefere peças clássicas no dia a dia. “Me sinto bem com blazer, camisa branca, jeans reto e sapatilha”, diz. Ao longo dos anos, passou por um processo de autoconhecimento que também atravessou o corpo e a imagem. “Quando era mais nova, me escondia em roupas largas. Hoje, sinto que meu corpo é meu instrumento de trabalho. Dei a volta por cima porque não permiti que as pessoas se apropriassem da narrativa.”
No guarda-roupa, Maria valoriza peças que carregam história. A primeira bolsa Louis Vuitton, presente do pai aos 10 anos, e um vestido Chanel de 1987 encontrado em um brechó de Los Angeles, comprado diretamente da modelo que o desfilou na era Lagerfeld, são exemplos desse olhar atento para memória e autoria. Usado no Festival de Cannes, o vestido rendeu destaque internacional e simboliza a forma como Maria constrói sua imagem: menos sobre tendência, mais sobre significado.
















