O cinema brasileiro protagonizou um de seus momentos mais simbólicos no Globo de Ouro 2026, realizado neste domingo (11). O Agente Secreto, dirigido por Kleber Mendonça Filho, conquistou dois prêmios centrais da noite ao vencer como melhor filme em língua não-inglesa e garantir a vitória de Wagner Moura como melhor ator em filme de drama. O resultado estabelece um marco histórico para o país, que volta a ocupar posição de destaque entre as principais cinematografias do mundo.
Aclamado pela crítica internacional desde sua estreia, O Agente Secreto é um thriller político que articula memória, identidade e trauma coletivo a partir de uma narrativa densa e atmosférica. Ambientado em um Brasil atravessado por silêncios e tensões históricas, o filme constrói sua força menos pela ação explícita e mais pelo desconforto, pela sugestão e pelo peso emocional das ausências. A atuação de Wagner Moura sustenta esse clima ao interpretar um personagem dilacerado entre passado e presente, em uma das performances mais elogiadas de sua carreira.

No palco da premiação, os discursos reforçaram o impacto simbólico da vitória. Kleber Mendonça Filho dedicou o prêmio aos jovens cineastas e destacou a importância de seguir produzindo cinema autoral em tempos desafiadores. Wagner Moura, por sua vez, afirmou que o filme trata de memória e de traumas que atravessam gerações, ressaltando que valores também podem ser transmitidos e preservados mesmo em contextos de crise.
A cerimônia também consagrou Uma batalha após a outra, de Paul Thomas Anderson, como o maior vencedor da noite, com quatro estatuetas, enquanto os demais prêmios foram distribuídos entre produções de diferentes países. Com as vitórias no Globo de Ouro e no Critics’ Choice Awards, O Agente Secreto se consolida como um dos principais favoritos ao Oscar de melhor filme internacional, reafirmando o vigor do cinema brasileiro no circuito global.














