À frente da Corazzo Home Decor, uma das principais indústrias brasileiras de mobiliário clássico e neoclássico de alto padrão, o empresário Roberto Corazzo construiu ao longo das décadas uma trajetória marcada pela valorização do trabalho artesanal e pela permanência do design clássico. Fundada em 1984, a marca se tornou referência nacional na produção de móveis sofisticados que unem tradição, técnicas manuais e releituras contemporâneas de peças históricas. Em um bate-bola direto, Roberto fala sobre a origem da empresa, os desafios de manter o artesanal vivo em um mercado cada vez mais industrializado e a visão de futuro para o setor.
Entrevista com Roberto Corazzo
1. O que o inspirou a fundar a Corazzo e como foi o início dessa jornada no mercado de móveis clássicos de luxo?
A empresa foi fundada em 1984 por meu pai. Ele viu a necessidade de portas e janelas para uma casa que estávamos construindo. Depois passamos a produzir quartos e cozinhas, até que em 1999 veio a ideia de fazer os clássicos, que era onde teríamos menos concorrência — e estávamos certos.
2. Como você descreveria o estilo Corazzo em uma frase?
Transformar sonhos em realidade.
3. Quais foram os maiores desafios ao construir uma marca que hoje é referência no setor clássico?
Ser reconhecido no mercado, formar mão de obra especializada e lutar contra um mercado que muitas vezes se tornou sem identidade, com tudo se copiando e tudo ficando mais do mesmo.
4. Existe alguma peça que marcou um ponto de virada na história da empresa?
Sim, uma poltrona chamada Lady.
5. De onde vem a inspiração para criar peças artesanais tão detalhadas?
O móvel clássico nem sempre é uma criação, mas muitas vezes uma releitura de mobiliários de séculos passados, provando que o clássico é perene e resiste ao tempo.
6. Como vocês equilibram tradição artesanal com inovação e tendências contemporâneas?
Buscando novos acabamentos e texturas, tecidos, mescla com vidros e espelhos e madeiras nobres atuais que compõem perfeitamente com a decoração mais contemporânea.
7. Quais são os principais materiais que vocês mais gostam de trabalhar e por quê?
Madeira, por se tratar de uma matéria-prima de extrema nobreza. Aliada à folha de ouro, então, fica o supremo do requinte.
8. Existe uma técnica artesanal essencial na identidade da Corazzo?
Sim, a arte do fatto a mano, trabalhar com as mãos, algo que hoje vai na contramão da predominância das máquinas modernas.
9. Como funciona o processo de personalização para um cliente que quer algo único?
Temos artesãos preparados para desenvolver projetos especiais. Quando o cliente precisa de medidas diferentes ou de uma peça totalmente personalizada, contamos com uma equipe de projetos especializada para isso.
10. Você lembra de algum pedido especialmente inusitado de um cliente?
Uma poltrona em formato de águia. Ficou uma verdadeira obra de arte.
11. Como vocês mantêm a experiência de atendimento tão valorizada pelos clientes?
Uma das nossas principais características é o atendimento rápido e humanizado. Na Corazzo não usamos IA nem tecnologias desse tipo — priorizamos uma equipe pequena que sabe exatamente como proceder nesse mercado.
12. A Corazzo já produziu móveis para artistas ou projetos icônicos, como o BBB. Como é participar desse tipo de parceria?
É sempre muito gratificante ver nossos produtos em grandes palcos. A televisão e os grandes artistas nos proporcionam isso — e ainda vem muita novidade boa por aí.
13. Como você vê a evolução do mercado de móveis clássicos de luxo no Brasil?
Com a volta do maximalismo, o clássico deve ganhar ainda mais força nos próximos anos, se tornando quase uma joia rara, principalmente porque a mão de obra especializada está cada vez mais escassa.
14. Há planos de expansão ou novas parcerias estratégicas?
Sim. Acreditamos que uma empresa que não está crescendo está morrendo. Estamos investindo na cultura da empresa, em máquinas que ajudam na produção e nos acabamentos, abrindo showrooms em parceria com grandes empresas em vários estados e fazendo parcerias importantes no meio artístico.
15. Em um mundo cada vez mais digital, como a Corazzo preserva a sensação de exclusividade artesanal?
Esse é o nosso grande diferencial: fazer algo que ninguém mais quer fazer. Por isso conseguimos criar peças únicas e inigualáveis.
16. Que conselho você daria para novos designers ou marceneiros que querem entrar nesse mercado?
Se especialize em algo que vá além de cortar e fitar borda de MDF, porque muito em breve as máquinas vão dominar totalmente esse setor. Não tenha vergonha, medo ou preguiça de aprender. A Corazzo está à disposição para ensinar.





















