Na noite de 14 de julho, sob o céu cor de âmbar de Roma e entre colunas que já testemunharam impérios, a Dolce & Gabbana apresentou sua coleção de Alta Moda 2025 em um cenário que poderia ter saído de um épico italiano. O Foro Romano — coração político e espiritual da Roma Antiga — tornou-se passarela, altar e tela para uma ode à grandeza da Itália. Mais que um desfile, foi um manifesto visual assinado por Domenico Dolce e Stefano Gabbana em reverência à beleza eterna do país que moldou o mundo.
A cantora Cher, ícone de reinvenção e teatralidade, foi uma das presenças ilustres da noite e pareceu incorporar com naturalidade a estética maximalista proposta pela maison. Com sua aura glamourosa, ela traduziu em presença o que a coleção apresentou em silhuetas: uma celebração do exagero refinado, do tempo que passa, mas não se apaga.
As criações – verdadeiras esculturas em movimento – desfilaram em meio às pedras milenares com tecidos que evocavam a opulência litúrgica e a arquitetura clássica. Bordados com moedas douradas, pedrarias, corsets de aparência metálica, máxi estampas de monumentos como a Fontana di Trevi e drapeados que remetiam a togas romanas transformaram cada look em uma narrativa. As silhuetas eram dramáticas, imperiais, com saias volumosas e construções arquitetônicas que reverberavam a própria paisagem do entorno.
Este capítulo do Grand Tour d’Italia — projeto da Dolce & Gabbana iniciado em 2012 para enaltecer o patrimônio cultural italiano através da Alta Moda — é, talvez, o mais ambicioso. Depois de Veneza, Capri, Milão e Taormina, Roma surge como síntese de tudo o que a marca representa: tradição, paixão, teatralidade e um orgulho visceral pela história italiana.
“Queríamos tecer, mais uma vez, os fios entre o passado e o presente, entre a fé e a estética, entre o sagrado e o espetáculo”, diz Domenico Dolce, que encerrou o desfile sozinho, já que Stefano Gabbana não pôde comparecer por motivos pessoais. “Roma é o centro de tudo. E nada poderia ser mais Alta Moda do que isso.”
Em tempos de moda acelerada, a Dolce & Gabbana oferece uma pausa — não apenas para contemplação, mas para imersão. Uma moda que olha para trás, não com nostalgia, mas com reverência. E que segue transformando história em desejo.








































