Enquanto parte do país mergulha na folia, Brasília vem consolidando um movimento silencioso e sofisticado: o crescimento do enoturismo no Cerrado. A Rota das Uvas transforma propriedades rurais do Distrito Federal em experiências que unem natureza, gastronomia e cultura do vinho, oferecendo uma alternativa ao Carnaval tradicional. Vinhedos localizados no Lago Norte, PAD-DF, Paranoá e Sobradinho abriram as portas durante o feriado com programações especiais de colheita, degustação e vivências no campo.
No Vinhedo Lacustre, no Lago Norte, a programação incluiu café da manhã, colheita, a tradicional pisa das uvas e degustação de espumantes e sangrias. Para o vitivinicultor Marcos Ritter, abrir a propriedade ao público fortalece o circuito rural e acompanha uma mudança no comportamento dos moradores da capital. “Brasília está mudando nesse sentido. Antigamente, a gente tinha essa máxima de que ninguém ficava em Brasília no Carnaval. Hoje em dia, as pessoas ficam e curtem tudo que a cidade tem a oferecer. Nós fazemos esse evento desde 2023 e sempre esgotamos todas as vagas”, afirma.

Segundo o secretário de Turismo do Distrito Federal, Cristiano Araújo, o avanço do enoturismo amplia as possibilidades de lazer na capital, especialmente em feriados prolongados. A proposta da rota é valorizar as paisagens do Planalto Central e posicionar Brasília também como destino de experiências rurais e gastronômicas, fortalecendo o turismo local e diversificando a economia criativa da região.
Além do Vinhedo Lacustre, a Rota das Uvas reúne iniciativas como a Vinícola Brasília, criada por dez famílias produtoras do PAD-DF e reconhecida pelos vinhos finos de colheita de inverno; a Casa Vitor, no Paranoá, que combina gastronomia e vinhos brasileiros; a Villa Triacca Eco Pousada, que integra hospedagem e vitivinicultura; e a Fazenda Califórnia DF, na Fercal, um dos vinhedos mais antigos da capital. Juntas, essas propriedades reforçam o Cerrado como novo território do vinho brasileiro.
















