Por Isabela Mendes
Foi durante um retiro criativo nos arredores de Roma, somado a uma visita quase improvisada à Capela Sistina, que Daniel Roseberry encontrou o ponto de partida para sua nova coleção de alta-costura para a Schiaparelli. A apresentação, que abriu oficialmente a semana de alta-costura de Paris nesta manhã, marca um momento de virada criativa para o designer, guiado menos por uma estética pré-concebida e mais pelas sensações que emergem no ato de criar.
O antagonismo se tornou o fio condutor da estação. Como transformar a raiva, o veneno e as tensões do mundo contemporâneo em algo criativo? Onde reside a alegria nesse processo? E como conciliar sentimentos tão opostos? Dessas perguntas nasce o nome da coleção, A Agonia e o Êxtase. Dentro da estrutura rígida da alta-costura, fundamentada em técnica, rigor, controle e disciplina — Roseberry encontrou espaço para explorar maior expressividade, liberdade criativa e até vulnerabilidade, combinando savoir-faire extremo a silhuetas intensas, poderosas e dramáticas.

O desfile revelou um universo visual impactante, povoado por criaturas reptilianas e aracnídeas, caudas de escorpião, pássaros e formas híbridas que remetem à fascinação histórica de Elsa Schiaparelli pela vida animal. A natureza surge como símbolo de força, mistério e transformação, evocando tanto criaturas marinhas quanto celestes. A lagosta, ícone emblemático da maison, reaparece como elo entre passado e presente, reafirmando a identidade surrealista da marca.
Mais do que um espetáculo visual, a coleção se impõe como uma homenagem à natureza em toda a sua majestade e complexidade. Um início arrebatador para a semana de alta-costura, marcado por um desfile emblemático, carregado de significado e, ao mesmo tempo, elegante. Schiaparelli reforça sua posição no mercado de luxo e se alinha à tendência maximalista que desponta como uma das grandes forças criativas de 2026.
Fotos: Schiaparelli | Alta-Costura | Verão 2026 — Foto: Launchmetrics Spotlight




















