O projeto Águas de Oxalá chega à sua segunda edição reafirmando a importância dos rituais de lavagem como uma das expressões mais simbólicas das religiões de matriz africana no Brasil. Entre maio e junho, a iniciativa promoverá oficinas formativas e celebrações abertas ao público em diferentes regiões do Distrito Federal, como Samambaia, Pôr do Sol, Núcleo Bandeirante e Candangolândia. A programação reúne tradição, espiritualidade, música, culinária e saberes ancestrais em uma experiência coletiva de fé, cultura e pertencimento.
Idealizado por Mãe Francys Baiana do Acarajé, também conhecida como Doné Francys de Oyá, o projeto busca fortalecer o reconhecimento das tradições afro-brasileiras e ampliar o debate sobre intolerância religiosa. Mais do que manifestações espirituais, os rituais de lavagem representam resistência histórica e valorização cultural, preservando práticas ancestrais que ajudaram a construir a identidade brasileira. A iniciativa também funciona como espaço de diálogo e acolhimento para a comunidade.

As oficinas, gratuitas e abertas mediante inscrição, terão carga horária de 20 horas e abordarão temas como história das lavagens, significado dos rituais, musicalidade, indumentárias e culinária tradicional. Ao final da formação, os participantes serão convidados a integrar os cortejos e cerimônias conduzidos em homenagem aos orixás Oxalá, Iemanjá e Oxum. Durante as celebrações, os espaços recebem a tradicional lavagem simbólica com ervas e água de cheiro, acompanhada por atabaques e cânticos afro-religiosos.

Realizado com recursos do Fundo de Apoio à Cultura do Distrito Federal (FAC-DF), o Águas de Oxalá reforça a importância das religiões de matriz africana como patrimônio cultural e espiritual do país. Ao ocupar espaços públicos com rituais, conhecimento e manifestações artísticas, o projeto amplia a visibilidade dessas tradições e promove uma mensagem coletiva de respeito, diversidade e combate ao racismo religioso.














