O artista plástico brasiliense João Angelini estreou, no último sábado (11), a exposição “Passageiro” no centro cultural Koganecho, em Yokohama, no Japão. Em cartaz até 6 de maio, a mostra apresenta 23 obras inéditas desenvolvidas ao longo de seis meses de residência no Koganecho Artist in Residence Program, realizada a convite da Embaixada do Brasil em Tóquio, com apoio do Instituto Guimarães Rosa e da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, por meio do programa Conexão Cultura DF.
A exposição parte da figura do “passageiro” como eixo conceitual, aquele que atravessa territórios, culturas e sistemas de sentido. A partir dessa ideia, Angelini constrói uma investigação sobre deslocamento, memória e impermanência, tratando imagens e formas como elementos transitórios, em constante transformação. “A residência exigiu uma outra relação com o tempo, com o território e com a produção. É uma mudança de escala que reorganiza todo o processo de trabalho”, afirma o artista.

Com trabalhos que atravessam pintura, escultura, vídeo, animação, instalação e performance, incluindo uma ação realizada na abertura, a mostra evidencia tensões e aproximações entre Brasil e Japão. A produção articula experiência direta e imaginação, combinando ritual e circulação global por meio de materiais instáveis, gestos repetitivos e imagens em dissolução.

O processo criativo incorpora conceitos fundamentais da cultura japonesa, como a impermanência e a experiência única, ao mesmo tempo em que retoma investigações anteriores do artista sobre economia, circulação e dinâmicas de commodities. Elementos da cultura pop japonesa, como mangás, animês e videogames, também aparecem como camadas visuais e simbólicas que atravessam sua trajetória.
Entre os destaques está a obra A Linha do Desejo, que combina fragmentos de entulho de uma casa colonial do século XIX, em Planaltina (DF), com padrões inspirados em um templo budista em Kyoto. A peça estabelece um diálogo entre sistemas culturais distintos, conectando vestígios históricos brasileiros a geometrias associadas à contemplação espiritual japonesa.

“Passageiro” marca um momento decisivo na trajetória de Angelini: sua primeira exposição individual internacional e sua primeira residência solo no exterior, consolidando sua inserção no circuito global de arte contemporânea. Confira aqui algumas fotos da exposição por Liu Shujia.


















