A exposição Brazulejos, de Lígia de Medeiros, reúne 23 painéis de azulejos e 18 desenhos digitais inéditos, apresentados entre 22 de novembro e 13 de janeiro de 2026 no Espaço Oscar Niemeyer. Com curadoria de Renata Azambuja, a mostra reúne obras em diferentes escalas que exploram figuras humanas, geometrias e reelaborações de trabalhos iniciados em 2017. A iniciativa, patrocinada pelo FAC-DF, oferece entrada gratuita e acessibilidade para pessoas cegas ou com baixa visão, com audiodescrição via QRCode e caderno em braile.
A obra de Lígia transita entre arte, design e arquitetura, evidenciando uma pesquisa singular sobre revestimento, composição e narrativa visual. Suas peças dialogam com o modernismo e com as paisagens do Cerrado, combinando rigor geométrico, lirismo e memória material. A artista traz uma trajetória marcada por diferentes territórios criativos — do design de móveis no Rio de Janeiro ao aprofundamento modernista em São Paulo, até a produção de joias e mobiliário autoral em Brasília — sempre pautada pela depuração, pela precisão técnica e pela busca da essência formal.
Organizada em blocos temáticos definidos como “geradores de imagens”, a mostra apresenta núcleos que tratam da relação entre figura humana, construção e paisagem; investigações sobre o feminino; pesquisas de linguagem; e reflexões sobre brasilidade. Renata Azambuja destaca o caráter experimental da produção de Lígia, que incorpora influências de sua experiência como designer, antiquária e pesquisadora de materiais, resultando em obras que retomam a tradição dos azulejos narrativos portugueses com uma leitura contemporânea.
Brazulejos também revela o percurso inventivo da artista em sua busca pela precisão geométrica, pelo essencial e pela harmonia cromática. Lígia enfatiza a disciplina como motor de criação, a importância da depuração formal e sua convicção em combinar referências diversas sem preocupação com encaixes rígidos. Hoje, dedica-se à azulejaria autoral e à estamparia digital, unindo matemática, poesia visual e efeito óptico, consolidando uma obra que transforma o cotidiano em experiência estética.



Foto: Lula Lopes













