O Carnaval está aí. O coronavírus entrou na avenida com seu triste samba-enredo. A seu bel-prazer. E aí nós dançamos. O coronavírus arrastou uma multidão. Só que para dentro de casa.
Ficamos de camarote. O vírus apresentou ao mundo sua dança feia, como um gringo desajeitado na avenida. Se alguns ficaram em casa, outros vestiram suas máscaras e foram para as ruas.
Pior foram aqueles que deixaram suas máscaras caírem, e foram sambar nas telas dos noticiários e das redes sociais. Jogar serpentina nos palanques e nos palcos da vida. Pular ao som do frevo das fake news, diante dos túmulos e das UTIs dos hospitais.
Mas o que as plateias queriam mesmo era oxigênio. A máscara foi a fantasia mais usada neste carnaval. Conhecemos as máscaras de outros carnavais.
Muitos foliões do bloco dos assintomáticos pensaram que era festa. Uns encheram-se de purpurina. Outros de álcool 70. Muitos dançaram com o samba do crioulo doido da desinformação. Expressão salvo engano, curiosamente derivada de um samba.
Mas o bom senso há de descer das arquibancadas e entrar na avenida. Existe também o desfile de outros blocos. Avisa aí que já entrou o bloco da ciência. Com a bela e multidiversa ala das vacinas.
Em posição de destaque os profissionais da área da saúde. Lá em cima. No carro alegórico da esperança.
Pouco a pouco ressurgirá o samba no pé. Nossa vida e nossa alegria. O vírus será desclassificado. E o carnaval enfim, será nosso!!! Mesmo depois da Quarta-Feira de Cinzas.
Alexandre Medeiros – @alexandrekreft – 45 anos, atualmente Servidor Público do GDF, Biólogo por formação e Especialista em Análises Ambientais e Desenvolvimento Sustentável. Criador do projeto Candangoscópio. Começou seus textos autorais na pré-adolescência, por volta dos 12 anos de idade, talvez pelo clichê mesmo da necessidade de escrever, talvez por influência do pai – também escritor – ou talvez como consequência da característica de observar, tentando entender e sentir o mundo interior e exterior. O pseudônimo Kreft foi dado por antigos amigos do Ensino Médio, na década de 90, pela semelhança física (na época) com um dos componentes da banda Kraftwerk.













