A Cerrado Cultural recebe, a partir de 17 de outubro, duas exposições que partem de universos distintos, mas encontram no olhar, na memória e na transformação pontos de conexão. Alfredo Volpi – Os lugares do olhar, com curadoria de Cinara Barbosa, reúne cerca de 25 telas, muitas delas inéditas para o público, realizadas entre as décadas de 1920 e 1980. Ao lado dela, Tawemücü Pu’tchi, da artista indígena Kuenan Mayu, apresenta 16 obras que aproximam saberes ancestrais Magüta e Tariana de questões ligadas à espiritualidade, desejo, memória e corporalidade.
Na exposição dedicada a Alfredo Volpi, o percurso acompanha as diferentes maneiras pelas quais o artista construiu suas imagens ao longo de décadas. Paisagens, casarios e cenas populares observados diretamente são gradualmente transformados em cor, forma, ritmo e superfície, em um processo que incorpora memória e imaginação. A mostra também evidencia a relação de Volpi com a matéria e com o fazer manual, desde a pintura a óleo até a têmpera preparada artesanalmente. Elementos recorrentes de sua produção, como fachadas e bandeirinhas, deixam de ser apenas representações para ganhar novas relações dentro da própria linguagem da pintura. A trajetória do artista também guarda uma ligação particular com Brasília, onde realizou o mural da Capela Nossa Senhora de Fátima, na 307/308 Sul, posteriormente apagado, e teve sua última exposição individual na capital em 1980.
Já Kuenan Mayu parte de outra compreensão sobre a imagem e a existência. Artista Magüta (Tikuna) e Tariana, ela apresenta em Tawemücü Pu’tchi trabalhos desenvolvidos a partir das séries Eware e Pu’tchi, nas quais seres humanos, animais, plantas e entidades espirituais coexistem em permanente transformação. A materialidade das obras nasce da entrecasca sagrada do Ngõ’e, o tururi, utilizada como receptáculo espiritual, e incorpora pigmentos como urucum, jenipapo e pacová, em uma técnica aprendida pela observação de suas anciãs. A lua ocupa lugar central nesse universo e aparece em um percurso que a aproxima do sol até culminar em uma espécie de eclipse. “Uma lua bicha”, como indica o título da exposição na língua materna, sintetiza esse estado de passagem entre o divino, o sexual, o natural e o espiritual.
Com curadorias de Cinara Barbosa e Mandú, e curadoria adjunta de Divino Sobral, as duas exposições propõem maneiras distintas de pensar como imagens são construídas e transformadas. De um lado, a trajetória de um dos nomes fundamentais da arte brasileira moderna; de outro, uma produção contemporânea indígena que articula ancestralidade, corporalidade e espiritualidade a partir de materialidades vivas da floresta. A abertura acontece em 17 de outubro, na Cerrado Cultural, e as mostras permanecem em cartaz até 13 de novembro, com entrada gratuita.
Confira aqui as obras que integram as novas exposições da Cerrado Cultural e conheça os trabalhos de Alfredo Volpi e Kuenan Mayu, que colocam em diálogo diferentes formas de olhar para a paisagem, a memória, a ancestralidade e a transformação:
Serviço
Exposições: Alfredo Volpi – Os lugares do olhar e Tawemücü Pu’tchi, de Kuenan Mayu
Curadorias: Cinara Barbosa e Mandú, com Divino Sobral como curador adjunto
Abertura: 17 de outubro de 2026, às 11h
Período: 17 de outubro a 13 de novembro de 2026
Local: Cerrado Cultural, SHIS QI 05, Chácara 10, Lago Sul, Brasília
Visitação: segunda a sexta, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h
Entrada: gratuita

















