Por Isabela Mendes
Se em 1988 a pergunta “Quem matou Odete Roitman?” parou o país, em 2025 a questão é outra: como a autora Manuela Dias vai reconfigurar o desfecho que permanece vivo na memória do público? Débora Bloch, em sua performance, conquistou críticos e fãs, criando uma Odete mais carismática e cheia de camadas inéditas, como filhos com leucemia e deficiência, mantidos em segredo por anos. Essa transformação é a chave para entender por que seu fim pode ser diferente.
A cena do crime foi planejada para confundir. Uma extensa lista de personagens estava no hotel no dia fatídico: Maria de Fátima (Bella Campos), sequestrada pela vilã; Heleninha (Paolla Oliveira) e Tia Celina (Malu Galli), já cientes da crueldade de Odete; e o marido César (Cauã Reymond). Para homenagear ou despistar os fãs, o casal Marco Aurélio (Alexandre Nero) e Leila (Carolina Dieckmann), assassina da primeira versão, também estava presente, com Leila visivelmente aflita após conversa do marido com a vítima.
Na versão original, o segredo da identidade da assassina foi guardado a sete chaves. Gilberto Braga e equipe escreveram cinco finais diferentes para evitar vazamentos, e a cena da revelação foi gravada poucas horas antes de ir ao ar, em 6 de janeiro de 1989. Leila, vivida por Cássia Kiss, entrou como escolha de última hora, surpreendendo o público e criando um fenômeno que paralisou o país por 13 dias. Hoje, com a TV pulverizada e hábitos de consumo diferentes, especialistas como Nilson Xavier afirmam que replicar esse impacto seria impossível.
Mas seria possível replicar esse fenômeno hoje? “Jamais. Outros tempos, outra sociedade, mas principalmente outra televisão”, afirma Nilson Xavier, pesquisador e crítico de TV. Para ele, a audiência pulverizada e os novos hábitos de consumo impedem que o evento televisivo tenha o mesmo impacto. “Nos anos 80, a TV aberta reinava absoluta, sem concorrentes”, completa.














