Em cartaz até 24 de maio no Espaço Oscar Niemeyer, a exposição Verdade Moldada, da artista nipo-brasileira Akimi Watanabe, entra em sua reta final reafirmando a potência de uma obra que atravessa memória, identidade e crítica social. A mostra transforma o espaço expositivo em um território de questionamento sobre os padrões que historicamente moldam o corpo feminino e os limites entre pertencimento, validação e liberdade individual.
Filha de pioneiros japoneses em Brasília, Watanabe parte da prática milenar chinesa dos “pés de lótus”, tradição que submetia mulheres à mutilação em nome de um ideal de beleza e status, para estabelecer um diálogo direto com as pressões estéticas contemporâneas. Ao revisitar esse episódio histórico, a artista amplia a discussão para além do passado e propõe uma leitura sobre as formas sutis, porém persistentes, de controle social que continuam atravessando o feminino na atualidade.

Com cerca de 100 desenhos em nanquim, além de colagens digitais, esculturas, objetos e instalações, a exposição constrói uma narrativa visual delicada e, ao mesmo tempo, inquietante. Sob curadoria de Rogério Carvalho, a mostra evidencia como redes sociais, discursos normativos e padrões de comportamento ainda operam como dispositivos de moldagem simbólica dos corpos, atualizando antigas violências sob novas linguagens de aceitação e pertencimento.

Mais do que uma exposição, Verdade Moldada se apresenta como um convite à percepção crítica sobre os sistemas que influenciam escolhas, identidades e formas de existir. Ao tensionar essas camadas, Akimi Watanabe conduz o visitante por uma experiência sensível e profundamente contemporânea, reafirmando o corpo feminino como espaço histórico de disputa, resistência e construção simbólica.
Exposição de Akimi Watanabe segue até 24 de maio no Espaço Oscar Niemeyer. Confira os registros da mostra que propõe uma reflexão sobre corpo, pertencimento e os padrões que atravessam o feminino:




















