A Cerrado Cultural, no Lago Sul, abriu duas exposições que conectam diferentes linguagens e formas de compreender o mundo. A programação foi apresentada em dois encontros, realizados nos dias 14 e 17 de outubro, que reuniram cerca de 250 convidados ao todo. Entre os destaques está Alfredo Volpi – Os lugares do olhar, exposição individual que marca o retorno do artista a Brasília após 46 anos sem uma mostra individual na capital. No segundo piso da galeria, a artista indígena Kuenan Mayu apresenta Tawemücü Pu’tchi, sua primeira exposição individual na cidade.
Com curadoria de Cinara Barbosa, a mostra dedicada a Volpi reúne 23 obras de coleções brasileiras, produzidas entre as décadas de 1920 e 1980. O percurso atravessa diferentes fases de sua trajetória, das paisagens e cenas cotidianas às fachadas e bandeirinhas que se tornaram marcas de sua produção. A exposição também recupera a relação do pintor com Brasília, onde ele realizou o mural da Capela Nossa Senhora de Fátima, na 307/308 Sul, apagado em 1962. Durante a abertura, Cinara ressaltou a importância de apresentar novamente esse conjunto ao público brasiliense: “É uma oportunidade, porque é a primeira exposição individual do artista desde os anos 1980, aqui na capital federal. Volpi tem uma relação muito significativa com a cidade, inclusive pelos afrescos originais que foram apagados na igrejinha da 307/308 Sul e, por conta disso, não fazem mais parte do nosso patrimônio histórico”, afirmou. Sobre a diversidade das obras, a curadora acrescentou: “É uma possibilidade de perceber e entender esse Volpi tanto dentro de uma estrutura da arte concreta formalista quanto pelo figurativismo, aludindo à presença das cidades brasileiras”.
No segundo piso, Tawemücü Pu’tchi apresenta 16 trabalhos de Kuenan Mayu, artista nascida no Amazonas e descendente dos povos Magüta (Tikuna) e Tariana. A exposição parte das práticas tradicionais das mulheres de sua comunidade e se inspira na cosmovisão Tikuna, marcada pela coexistência entre seres, pelas metamorfoses da natureza e pela transformação dos corpos. Entre os materiais utilizados estão entrecascas de árvores e pigmentos naturais e minerais, que aproximam pesquisa artística, ancestralidade e espiritualidade. Ao apresentar a série, a artista explicou: “Essa série de trabalhos nasce a partir das práticas tradicionais das mulheres da minha comunidade, lá no Amazonas. A partir dessas práticas, tento configurar os trabalhos com base na cosmovisão do povo Tikuna, que parte da coexistência, da transformação do corpo e das metamorfoses da natureza, da lua e da vida. O que vocês vão ver aqui é essa transformação, essa condição efêmera da vida e do corpo”.
As duas exposições seguem em cartaz na Cerrado Cultural até 13 de novembro, com entrada gratuita. A programação reúne perspectivas distintas sobre a arte e suas relações com a memória, a identidade e o território, oferecendo ao público a oportunidade de conhecer tanto a trajetória de um dos nomes centrais do modernismo brasileiro quanto a produção contemporânea de uma artista indígena.
A visitação é gratuita até 13 de novembro. Confira os registros da abertura e conheça as mostras. Fotos sociais por Nina Quintana e Wey Alves:
Serviço:
Exposições: Alfredo Volpi – Os lugares do olhar, de Alfredo Volpi, e Tawemücü Pu’tchi, de Kuenan Mayu.
Curadorias: Cinara Barbosa e Mandú, com Divino Sobral como curador adjunto.
Período expositivo: até 13 de novembro de 2026.
Local: Cerrado Cultural, SHIS QI 05, Chácara 10, Lago Sul, Brasília.
Visitação: segunda a sexta-feira, das 10h às 19h; sábado, das 10h às 13h.































