A Amazônia peruana chega ao Instituto Cervantes de Brasília por meio de uma perspectiva que vai além da paisagem natural. A exposição Mirar el bosque desde el bosque, realizada pela Embaixada do Peru em parceria com o Instituto Cervantes, será inaugurada em 27 de outubro e reúne reproduções de obras dos artistas indígenas Dimas Paredes e Shoyan Shëca, da região de Ucayali. Com curadoria de Gredna Landolt, a mostra apresenta a floresta como um universo de vida, espiritualidade e conhecimento ancestral.
Nas pinturas, fauna, flora, rios e árvores integram um sistema de relações que também envolve espíritos guardiões e entidades presentes nas tradições amazônicas representadas pelos artistas. A natureza não aparece apenas como cenário, mas como parte de um universo interligado, sustentado por relações de respeito e reciprocidade. Ao aproximar essas perspectivas do público brasiliense, a exposição propõe uma reflexão sobre diferentes formas de compreender o mundo natural e sobre a necessidade de repensar a relação entre a humanidade e as demais espécies.
Nascido em 1954, em Masisea, na região de Ucayali, Dimas Paredes vive e trabalha em Pucallpa, na Amazônia peruana. Discípulo do pintor vegetalista Pablo Amaringo, desenvolve uma produção inspirada nos saberes tradicionais da floresta e em suas dimensões espirituais. Suas composições detalhadas retratam a vegetação amazônica e os seres que protegem a natureza, revelando a coexistência entre plantas, animais e entidades espirituais. O artista participou de exposições internacionais, como Amazonía Contemporánea, em Madri, e possui obras na coleção permanente do Museu de Arte de Lima (MALI).
A exposição também apresenta a produção de Shoyan Shëca, nome artístico de Roldán Pinedo, nascido em 1968 na comunidade indígena de San Francisco, em Ucayali, e integrante do povo Shipibo. Autodidata, o artista utiliza a pintura para preservar e transmitir a memória, a identidade e os conhecimentos de sua comunidade. Suas obras retratam a biodiversidade amazônica e incorporam o kené, grafismo tradicional Shipibo que carrega significados culturais e espirituais. Com participações em exposições em cidades como Paris e Madri, Shoyan Shëca é uma referência da arte indígena contemporânea peruana. Em diálogo, os trabalhos dos dois artistas convidam o visitante a perceber a floresta como um universo vivo, cuja preservação está ligada ao equilíbrio de todo o ecossistema.
A visitação segue até 20 de janeiro de 2027. Confira algumas obras presentes na exposição:
Serviço:
Exposição: Mirar el bosque desde el bosque
Realização: Embaixada do Peru e Instituto Cervantes de Brasília
Curadoria: Gredna Landolt
Abertura: 27 de outubro de 2026, às 18h30
Visitação: de 28 de outubro de 2026 a 20 de janeiro de 2027
Horários: segunda a sexta-feira, das 9h às 18h; sábados, das 9h às 12h
Local: Instituto Cervantes de Brasília




















