Após séculos em que pessoas negras foram retratadas à margem ou como elementos secundários na história da arte, a exposição “Comigo Ninguém Pode – A Pintura de Jeff Alan” propõe uma inversão potente desse olhar. Em cartaz na CAIXA Cultural Brasília até 31 de maio, a mostra apresenta 50 obras — sendo parte delas inéditas — que colocam sujeitos negros no centro da narrativa visual, ocupando com força e sensibilidade um espaço historicamente negado. A visitação é gratuita e inclui a distribuição de um catálogo exclusivo com registros e reflexões sobre a produção do artista pernambucano.
Sob curadoria de Bruno Albertim, a exposição articula crítica e estética ao questionar as bases da arte ocidental. “Por séculos, pessoas que não são brancas só eram retratadas na arte como objetos, não eram sujeitos que ocupavam a centralidade da imagem”, afirma o curador. Ao revisitar esse passado, a mostra também tensiona estruturas de poder que, segundo ele, “refundaram o mundo à sua maneira usando a força escravizada de pessoas negras com origem na África”. Nesse contexto, a obra de Jeff Alan emerge como um gesto de reconstrução simbólica e reposicionamento histórico.

Natural do bairro do Barro, em Recife, o artista constrói suas pinturas a partir de vivências reais e afetivas. Seus retratos não partem de idealizações, mas de relações concretas com as pessoas representadas. “Quero que as pessoas se vejam nas minhas obras e sintam que pertencem a esses espaços que muitas vezes nos excluem”, diz Jeff. Elementos do cotidiano, como a planta comigo-ninguém-pode, que dá nome à exposição, aparecem como símbolos que conectam identidade, território e resistência, reforçando a dimensão íntima e política de sua produção.

Reconhecido como um nome em ascensão nas artes visuais brasileiras, Jeff Alan também se destaca pelo rigor técnico. “Com um exímio talento de retratista, ele capta duas características essenciais, a de mostrar quem são esses indivíduos e a de evidenciar as subjetividades de cada pessoa”, pontua Bruno Albertim. A mostra, que já passou por cidades como Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Fortaleza, soma mais de 110 mil visitantes e segue ampliando seu alcance. Em Brasília, além da experiência estética, o público encontra recursos de acessibilidade, como audiodescrição via QR Code, reforçando o compromisso com inclusão e democratização cultural.

SERVIÇO
Exposição “Comigo Ninguém Pode – A pintura de Jeff Alan”
Na Caixa Cultural Brasília (Setor Bancário Sul – SBS-, Quadra 4, Lotes 3/4, Asa Sul)
De terça a domingo, das 9h às 21h, até 31 de maio
Entrada gratuita
Classificação indicativa: Livre
Acesso para pessoas com deficiência













