A Fundação Bienal de São Paulo anunciou o projeto curatorial do Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia. Intitulada “Comigo ninguém pode”, a mostra tem curadoria de Diane Lima e propõe um encontro inédito entre Adriana Varejão e Rosana Paulino, duas das artistas mais relevantes da arte contemporânea brasileira. A exposição ocupará integralmente o pavilhão a partir de maio de 2026, com uma abordagem instalativa que tensiona e dialoga com a arquitetura modernista do espaço.
Inspirada na planta popularmente conhecida como comigo-ninguém-pode — símbolo de proteção, resistência e ambiguidade, a proposta se constrói como uma experiência sensorial que atravessa natureza, história e espiritualidade. Rompendo com a linearidade do tempo, a curadoria coloca em relação obras produzidas ao longo de mais de três décadas, revelando como as artistas investigam feridas coloniais ao mesmo tempo em que constroem novas narrativas a partir da metamorfose, da matéria e da memória.

AdrianaVarejão
“O projeto faz um convite para que nos conectemos a uma frequência que abre a possibilidade de ver o transcendente no visível. Ao evocar essa energia, Comigo ninguém pode reflete sobre as manifestações da fé e da espiritualidade na cultura brasileira, destacando sua estreita relação com a natureza, com as dimensões mais-que-humanas e, sobretudo, na construção de uma complexa imaginação pública”, afirma Diane Lima. A expografia, assinada por Daniela Thomas, reforça essa imersão ao transformar o próprio pavilhão em parte ativa da narrativa.

RosanaPaulino
A exposição também marca um momento de maturidade e reposicionamento da presença brasileira em Veneza. Ao reunir pinturas, esculturas, desenhos e obras inéditas de grande escala, o projeto aposta em uma construção coletiva que enfatiza tensões, aproximações e sobreposições simbólicas entre as artistas. Mais do que representar o país, “Comigo ninguém pode” propõe uma leitura sensível e crítica do Brasil, em que memória, corpo e espiritualidade se entrelaçam para reimaginar o passado e expandir as possibilidades do presente.



RosanaPaulino














