Pedro Lourenço está de volta ao Brasil. Aos 35 anos, o estilista, que construiu uma trajetória marcada pela precocidade e pelo reconhecimento internacional, relança sua marca homônima após uma década vivendo entre Londres e Paris. O novo momento representa também uma mudança de perspectiva: depois de anos à frente de grandes projetos e trabalhos para outras marcas, Pedro busca recuperar o prazer da criação e conduzir a moda em seus próprios termos.
Filho dos estilistas Gloria Coelho e Reinaldo Lourenço, Pedro começou a carreira ainda criança e apresentou sua primeira coleção aos 12 anos. Aos 15, estreou no São Paulo Fashion Week e, aos 19, chegou ao calendário oficial da Semana de Moda de Paris. Ao longo da trajetória internacional, comandou a direção criativa da La Perla e criou a Zilver, além de desenvolver projetos e consultorias no exterior.
Agora, o retorno acontece de maneira mais intimista. A primeira fase da nova grife reúne camisas de organza, peças em jeans, jaquetas, bolsas, cintos, tricôs e criações em macramê. Produzidas no Brasil, as peças refletem referências que acompanham o estilista há anos, como a arquitetura de Oscar Niemeyer, a natureza tropical, a tecnologia e as relações entre corpo, desejo e movimento.
Entre os destaques estão trabalhos manuais que podem levar semanas para serem finalizados. Pedro desenvolveu materiais próprios, como cordões de rayon tricotado para o macramê, e recuperou o acqua, material criado durante a fase da Zilver. A coleção também apresenta bodies assimétricos e peças sem gênero definido, reforçando a busca por uma estética autoral que combina experimentação, técnica e identidade brasileira.
O novo capítulo também propõe uma relação diferente com o consumo. A marca não terá e-commerce nem loja física neste primeiro momento. As vendas serão realizadas por WhatsApp, por meio de catálogo, em uma estratégia que privilegia o contato direto e um ritmo mais lento. Para Pedro, a escolha acompanha uma reflexão sobre o excesso de velocidade da indústria e das redes sociais.
“Eu acho que é um recomeço. Minha identidade como estilista sempre esteve presente, tanto na Pedro Lourenço quanto na Zilver e na La Perla. O consumidor e o foco mudavam, mas o design e as minhas paixões, que são muito específicas, não”, afirma. Com produção brasileira e uma proposta mais livre das pressões de grandes estruturas, o estilista inicia uma nova etapa de sua carreira, agora mais próxima de suas próprias referências e do prazer de criar.
Marcada pela produção nacional, experimentação e um olhar mais autoral sobre a moda; confira os registros da nova coleção e todos os detalhes desse aguardado retorno:


















