A partir de 9 de abril, o Espaço Oscar Niemeyer recebe Verdade Moldada, nova exposição da artista nipo-brasileira Akimi Watanabe. Radicada em Brasília e filha de pioneiros japoneses na capital, a artista constrói um percurso visual que parte de um dos símbolos mais marcantes da opressão estética feminina — os pés de lótus para lançar um olhar crítico sobre as permanências desse controle no presente. A abertura acontece às 19h, marcando o início de uma mostra que articula memória, identidade e questionamento social.
Tomando como base a prática milenar chinesa que submetia meninas à deformação dos pés em nome de ideais de beleza e status, Watanabe revisita esse passado com precisão histórica e densidade simbólica. Mais do que um resgate, a exposição propõe uma leitura expandida: evidencia como estruturas culturais e sociais foram, e ainda são, capazes de transformar corpos em objetos de validação externa, atravessando gerações sob diferentes discursos.

Fruto de quatro anos de pesquisa, Verdade Moldada reúne uma produção extensa e tecnicamente diversa: são 100 desenhos em nanquim sobre algodão, 60 sobre papel, além de colagens digitais, instalações e esculturas. A construção visual conduz o público por uma narrativa que tensiona pertencimento e autonomia, levantando questões que permanecem abertas: até que ponto as escolhas são, de fato, individuais? E em que medida ainda nos ajustamos para corresponder a expectativas coletivas.
Com curadoria de Rogério Carvalho, a exposição desloca o debate para o presente ao sugerir paralelos entre práticas históricas e dinâmicas contemporâneas — como os padrões estéticos amplificados pelas redes sociais e os códigos de aceitação que operam de forma mais sutil. Ao tensionar essas camadas, Watanabe propõe uma reflexão crítica sobre a ideia de liberdade dentro de sistemas que ainda regulam o corpo feminino, reafirmando sua dimensão como território simbólico, político e social.
















