Por Isabela Mendes
Antes mesmo de estrear, “O Diabo Veste Prada 2” já ocupa seu lugar no centro da conversa, não apenas pelo retorno de um clássico, mas pela forma como sua divulgação vem sendo construída. Vinte anos após o primeiro filme, Meryl Streep e Anne Hathaway retomam seus papéis em uma sequência que reflete as transformações do próprio universo fashion. Fora das telas, a turnê internacional se consolida como uma extensão narrativa do longa, onde cada aparição pública reforça o imaginário de sofisticação, poder e estética que marcou a obra original.
A passagem pela Cidade do México deu o tom dessa nova fase. Meryl Streep surgiu com um terno vermelho de Dolce & Gabbana, evocando autoridade com precisão, enquanto Anne Hathaway apostou em um Schiaparelli de silhueta marcante, com franjas e cinto dourado escultural. Em outro momento, durante participação televisiva, Streep revisitou um dos símbolos mais icônicos do filme ao usar um suéter azul cerúleo sob medida da J.Crew — uma escolha que transcende o figurino e se conecta diretamente à memória cultural da personagem.


À medida que a turnê avança por capitais como Tóquio e Seul, os looks seguem construindo uma narrativa visual consistente. Chanel, Valentino, Prada e Balenciaga aparecem como escolhas recorrentes, evidenciando um alinhamento entre as protagonistas e as grandes casas de moda contemporâneas. O uso estratégico de cores intensas, especialmente o vermelho, e de materiais marcantes reforça a estética de impacto que acompanha tanto a divulgação quanto o próprio enredo do filme. Os looks funcionam quase como uma extensão do pensamento das personagens, como parte da forma como elas ocupam o espaço.


Na trama, “Miranda Priestly enquanto ela trilha seu caminho na carreira em meio ao declínio das publicações tradicionais de revistas e enfrenta a personagem de Blunt, Emily Charlton, agora uma executiva poderosa em um grupo de luxo com verbas publicitárias que Priestly precisa desesperadamente.” Esse pano de fundo amplia o significado da turnê: reposicionar o filme dentro de um novo cenário da moda. Existe uma mudança clara no que se espera dessas mulheres: menos aprovação estética, mais domínio simbólico, mais inteligência percebida.
















