Durante a 61ª edição da Bienal de Veneza, realizada entre 9 de maio e 22 de novembro de 2026, a cidade italiana volta a se transformar em um dos grandes centros mundiais da arte contemporânea. Mas, para além dos pavilhões e exposições, Veneza oferece uma experiência que mistura história, gastronomia, arquitetura e atmosfera única. Construída sobre um conjunto de ilhas cercadas pela lagoa veneziana, a cidade convida visitantes a desacelerarem e descobrirem seus detalhes entre canais, vielas silenciosas e paisagens que parecem suspensas no tempo.
Entre os programas mais clássicos e indispensáveis, está o passeio de gôndola. Apesar do clichê, navegar pelos canais estreitos proporciona uma perspectiva completamente diferente da cidade, revelando palácios históricos, pequenos cais privados e entradas aquáticas escondidas nos térreos inundados das construções venezianas. Outra experiência essencial é percorrer o Grand Canal, principal via da cidade, seja em táxis aquáticos privativos ou nos tradicionais vaporetti. Ao longo do trajeto, é possível admirar fachadas renascentistas, lustres de Murano e detalhes arquitetônicos que só se revelam a partir da água.

A gastronomia também faz parte da essência veneziana. Próximo ao Mercado de Rialto estão alguns dos restaurantes e bacari mais antigos da cidade, como a Osteria Antico Dolo, fundada em 1434. O endereço preserva o clima histórico e mantém receitas tradicionais que atravessam séculos. Já os bares típicos, conhecidos como bacari, oferecem a experiência local do aperitivo veneziano, com pequenos pratos chamados cicheti acompanhados de vinho ou spritz. Lugares como Al Timon e Al Squero se tornaram pontos clássicos para quem deseja vivenciar o cotidiano da cidade longe das rotas mais turísticas.

Para quem busca uma Veneza mais silenciosa, a ilha de Burano é um dos destinos mais encantadores da lagoa. Conhecida pelas casas coloridas refletidas na água e pela tradição artesanal da renda, a ilha ganha um ritmo ainda mais especial ao entardecer, quando os visitantes diminuem e o cenário se torna mais contemplativo. Já Murano segue como referência mundial na arte do vidro soprado. As fornalhas históricas da ilha preservam técnicas transmitidas há séculos, enquanto o Museo del Vetro apresenta peças que ajudam a entender a importância cultural dessa tradição para Veneza.

A cidade também guarda um lado mais sombrio e misterioso. A famosa Ponte dei Sospiri, que liga o Palazzo Ducale à antiga prisão, carrega séculos de histórias ligadas aos condenados que passavam por ali rumo às celas. Nos subterrâneos de igrejas como San Zaccaria e San Simeon Piccolo, criptas parcialmente inundadas revelam outra face da cidade construída sobre a água. Já na Piazza San Marco, considerada por Napoleão “a sala de estar da Europa”, estão alguns dos maiores símbolos venezianos, como a Basílica de São Marcos, o Palazzo Ducale e o histórico campanário com vista panorâmica da cidade.

Para absorver verdadeiramente o espírito veneziano, no entanto, talvez o melhor roteiro seja justamente não seguir roteiro algum. Caminhar sem direção pelas calli, as vielas estreitas que conectam pontes, canais e pequenas praças, permite descobrir cafés escondidos, fachadas centenárias e momentos silenciosos raros em uma das cidades mais visitadas do mundo. Em Veneza, perder-se faz parte da experiência. E durante a Bienal, quando arte e cidade parecem se misturar naturalmente, isso se torna ainda mais especial.

















